Especiação: Ernst Mayr (1/2)

Ernst Mayr

O livro de Dobzhansky, Genética e a Origem das Espécies, cativou biólogos de muito além dos limites da genética. Nas montanhas da Nova Guiné, um ornitólogo chamado Ernst Mayr (direita) percebeu no livro uma grande fonte de inspiração. Mayr se especializou em descobrir novas espécies de aves e mapear seus intervalos de ocorrência. Não é algo fácil determinar exatamente qual grupo de aves merece o título de espécie. Uma espécie de ave do paraíso pode ser reconhecível pela cor das penas, mas de lugar a lugar, pode haver uma grande quantidade de variação em outros traços – em uma montanha ela pode ter uma cauda longa e extravagante e em outra sua cauda pode ter um corte quadrado (abaixo, direita).

 


Variação entre populações
Biólogos, normalmente, tentam organizar essa confusão ao reconhecer subespécies – populações locais de uma espécie que eram distintas o suficiente para garantir um rótulo especial próprio. Mas Mayr viu que o rótulo de subespécie estava longe de ser a solução perfeita. Em alguns casos, as subespécies não eram tão diferentes umas das outras, mas havia uma gradação entre elas, como cores em um arco íris. Em outros casos, o que parecia ser uma subespécie acabou se tornando, ao examinar mais profundamente, uma espécie separada.

Variation in Bird of Paradise tails

As caudas dos pássaros do paraíso que vivem nas montanhas no norte da Nova Guiné (A) são mais longas que a dos pássaros que vivem nas montanhas mais centrais (B).

Como tantos outros naturalistas de seu tempo, Mayr, de início, suspeitou que algum tipo de hereditariedade Lamarckiana estava em funcionamento na evolução. Mas quando ele leu Dobzhansky e outros arquitetos da Síntese Moderna, ele percebeu que era sim, possível explicar a origem das espécies com a genética. Mayr também percebeu que o quebra-cabeça de espécies e subespécies não deveria ser considerado uma dor de cabeça: eles eram na verdade uma prova viva do processo evolutivo sobre o qual Dobzhansky escreveu.
Variações surgem em diferentes partes do intervalo de ocorrência das espécies, criando diferenças entre as populações(veja o exemplo à direita). Em uma parte do intervalo os pássaros podem ter longas caudas, em outras, caudas quadradas. Mas porque eles também acasalam com seus vizinhos, os pássaros não se tornam isolados em uma espécie própria./p>

Variação sobre uma grande área geográfica
O tamanho e o formato da crista do Dicrurus paradiseus varia consideravelmente pelo sudeste da Ásia.

• Imagem do Mayr cortesia de Ernst Mayr Library, Harvard University.
• Caudas do pássaro do paraíso segundo ilustração de Mayr, E. 1942. Systematics and the Origin of Species. Columbia University Press, New York.
Dicrurus, gráfico segundo ilustração de Futuyama, D.J. 1986. Evolutionary Biology. 2nd ed. Sinauer Associates, Inc.


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Tradução em espanhol do site Entendendo a Evolução para Professores da Sociedade Espanhola de Evolução Biológica.